'Nasua nasua'


Quati, como geralmente conhecido, é o nome popular de um animal cujo nome científico é Nasua nasua. Ele pertence ao Reino Animallia e é um vertebrado da Classe Mammalia, Ordem Carnivora e Família Procyonidae. Distribui-se amplamente pela América do Sul, variando da Colômbia e Venezuela ao norte do Uruguai e Argentina, ocupando diversas regiões do Brasil.
Os quatis são animais onívoros, ou seja, possuem uma alimentação variada com nutrição menos específica que os carnívoros e herbívoros. Em seu cardápio pode-se encontrar minhocas, insetos, lagartos, pequenos roedores, além de ovos, frutos e sementes, tendo o animal um importante papel na dispersão destas. Podem atingir em média os 135 cm, já incluindo a cauda, e pesar por volta de 6 a 8 kg, sendo os machos geralmente maiores e mais pesados do que as fêmeas. O N. nasua possui hábitos diurno e diurno-vespertino, sua reprodução ocorrendo uma vez ao ano. As fêmeas costumam dar a luz entre os meses de outubro e fevereiro, nascendo de 1 a 6 filhotes. Os ninhos são feitos em troncos de árvores, no qual se formam grupos matriarcais de até 30 indivíduos. Os machos com idade maior do que dois anos se separam da mãe e levam uma vida solitária, juntando-se ao grupo novamente em períodos de reprodutivos.


O quati possui um nariz muito flexível, que é grande e pontudo, em forma de trombeta. Este formato auxilia no forrageio. O forrageio é um comportamento por meio do qual esses animais reviram o solo, folhagens secas e a grama, procurando por comida. Sua longa cauda anelada possui em média seis a sete anéis amarelos, que ajuda a proporcionar equilíbrio ao animal. Na natureza eles podem viver até os 8 anos de idade, alcançando idades maiores quando em cativeiro.  São animais plantígrados, o que significa dizer que apoiam completamente as plantas dos pés ao pisar no chão. Sua pelagem é espessa e densa de cor marrom escura a preta, sendo as patas e o focinho mais escuros. A barriga possui coloração amarelada. Conseguem subir em árvores e, graças a suas flexíveis articulações, são capazes de descer de cabeça para baixo. A N. nasua é considerada uma espécie bastante inteligente e em locais de grande movimentação do ser humano se aproximam sem inibição com a intenção de obter alimentos. Quando percebem que o homem não representa perigo eles se andam livremente sem se preocupar.


Em março de 2018, eu estava com um grupo de amigos Biólogos no Parque Nacional do Iguaçu, localizado na região Extremo Oeste Paranaense, a 17 km do centro da cidade de Foz do Iguaçu – Paraná. Na ocasião estávamos a passeio, indo visitar as Cataratas do Iguaçu. Ao longo da trilha que leva até às deslumbrantes quedas d’água, é comum observar diversos grupos de quatis forrageando ou tentando, por meio de sua “fofura” obter algum tipo de alimento junto aos visitantes. Os animais são de fato, “fofos”, mas não se engane, pois eu diria que são quadrilhas muito bem organizadas (risos).

Eles podem conseguir comida junto aos visitantes de duas maneiras: a primeira acontece quando os turistas fornecem intencionalmente os alimentos, o que apesar de ser proibido acontece, mesmo com diversas placas ao longo do percurso advertindo as pessoas para não o façam. A segunda forma é “menos delicada”, na qual os quatis tentam pegar tais alimentos sem a permissão de seus donos (sim, eles roubam a sua mochila de comidas). Por isso é preciso ter cuidado com as mochilas ao realizar a trilha.

Essa história fica engraçada quando ao pararmos para uma das fotos, inspiradas na belíssima paisagem, percebi uma agitação no mínimo diferente entre nosso grupo de amigos. De início não compreendi o que estava acontecendo já que tudo aconteceu muito rápido, e quando me dei conta do que realmente houve, o suspeito (um quati) estava “fugindo” adentrando a vegetação. Enquanto estávamos distraídos com a fotografia, um indivíduo, de maneira muito silenciosa, se aproximou e praticamente entrou em uma de nossas mochilas a fim de encontrar algum alimento fácil. Não o culpo, já que dentro dela havia uns salaminhos muito cheirosos, o que provavelmente atraiu o animal da maneira mais tentadora possível. A história terminou com a dona da mochila um tanto que cabisbaixa, talvez por quase ter perdido a bolsa para um quati espertinho. É preciso ter bastante atenção na caminhada, pois já no início da trilha os visitantes são informados sobre a necessidade de atenção especial à suas bolsas visto que os quatis tentam tomá-las para si, sabendo de seu provável delicioso conteúdo.



Texto e Vídeo: Rodrigo Peixoto Nunes
Fotos: Larissa Rosa Rodrigues
Colégio Pedro II - Pró-Reitora de Pós-Graduação, Pesquisa, Extensão e Cultura.
rodrigu_peixoto@hotmail.com

Professora Larissa Rodrigues

Professora Larissa Rodrigues

O MUZEC - Museu de Zoologia e Extensão da Ciência

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