Tartarugas Marinhas

As tartarugas marinhas são répteis que vivem nos oceanos em áreas tropicais e subtropicais. Das sete espécies que existem no mundo, cinco ocorrem no Brasil: a cabeçuda (Caretta caretta), de couro (Dermochelys coriacea), oliva (Lepidochelys olivacea), verde (Chelonia mydas), e a de pente (Eretmochelys imbricata). Mas como são altamente migratórias, as tartarugas marinhas tornam-se patrimônio de todas as nações. 
Passam a maior parte do tempo no mar e podem atravessar oceanos, para se alimentar em águas próximas a um continente e se reproduzir em outro. Cada espécie tem sua dieta preferida: a verde (Chelonia mydas) alimenta-se de algas e de gramíneas marinhas e a oliva (Lepidochelys olivacea) gosta de crustáceos, peixes e moluscos. A tartaruga de couro (Dermochelys coriacea) só come águas-vivas e outros organismos gelatinosos e a cabeçuda (Caretta caretta) prefere caranguejos, moluscos, mexilhões e outros invertebrados, triturados com a força da mandíbula. A de pente (Eretmochelys imbricata) gosta mais de esponjas, mas também se alimenta em menor quantidade de anêmonas, algas e crustáceos. 

O tamanho das tartarugas marinhas adultas pode variar de 80cm até 2m de comprimento, caso da tartaruga-de-couro. Indivíduos adultos desta espécie podem atingir até 400 kg.
Potencialmente, todo o litoral brasileiro pode receber fêmeas de tartarugas marinhas para desovar. Mas geralmente os animais procuram áreas com areia e água do mar mais quentes. Por isso, as principais áreas de reprodução ficam no Rio de Janeiro, norte do Espírito Santo, e se estendem pelo Nordeste, regiões do litoral brasileiro onde as temperaturas são mais altas.
As tartarugas marinhas são animais de vida longa. Dependendo da espécie, só atinge a idade adulta com cerca de 30 anos. Nesta fase, ela retorna para a praia onde nasceu para depositar os ovos. Estima-se que entre 100 filhotes nascidos, apenas um chegará à vida adulta. Estudiosos no mundo estimam que as tartarugas marinhas podem chegar aos 100 anos de vida. 

As tartarugas marinhas são bastante conhecidas pelo fato de realizarem movimentos migratórios ao logo do ano e o que é mais interessante nisso é o fato de elas se orientarem com o auxílio do magnetismo existente no planeta Terra. Esse deslocamento se dá devido ao seu período reprodutivo e à necessidade de se deslocarem para locais específicos para a realização de desovas. As desovas ocorrem, no geral, em um período que vai desde o mês de setembro de um ano até o mês de março do ano seguinte.


Possuem adaptações que permitem uma estrutura mais hidrodinâmica como o formato remado das patas e sua carapaça mais achatada o que também acaba deixando-as mais leve, e por apresentarem capacidades visuais, auditivas e olfativas mesmo dentro da água. As tartarugas marinhas apresentam pulmões, mas também apresentam um tipo de respiração acessória, o que permite que elas consigam se manter embaixo da água por longos períodos de tempo, seja para a busca de alimento, seja para se manter em repouso. Essa respiração acessória consiste em sua capacidade de trocar gases com o ambiente pela sua cloaca. Isso também permite que suas taxas metabólicas sejam bastante baixas, fazendo com que esses animais demandem de pouco oxigênio para se manterem vivos. Também apresentam um mecanismo que faz com que o oxigênio que elas obtêm se distribua de maneira mais eficiente ao longo de seu corpo. Ela pode ficar embaixo da água por cerca de 10 a 30 minutos, em média. Quando sobem para respirar, ficam na superfície menos de dois a três segundos, é o tempo necessário para eliminar o CO2 acumulado durante o mergulho e inspirar o oxigênio suficiente para o próximo. Mas, se quiser, a tartaruga pode permanecer na superfície por mais tempo, como, por exemplo, boiando para se aquecer, se alimentar, se orientar ou copular. A origem desses animais não é bem conhecida, embora se estime que tenham surgido há cerca de 100 milhões de anos.


A poluição e as alterações climáticas são fatores cruciais para manter e agravar a situação de ameaça a que esses animais estão submetidos. A ingestão de plástico e outros resíduos estão relacionados aos hábitos alimentares das tartarugas marinhas. As espécies que não perseguem suas presas, como a tartaruga-verde, estão mais sujeitas ao problema. A tartaruga-de-couro, que se alimenta principalmente de águas-vivas, também é um alvo fácil pois ela pode confundir um saco plástico com seu alimento podendo engolir e gerar uma série de transtornos. Restos de redes e linhas de pesca abandonados no mar também são perigosos, pois permanecem no ambiente matando indiscriminadamente e desnecessariamente não só as tartarugas marinhas como outros animais que se enroscam e morrem enforcados, por asfixia ou por inanição. Por isso, são cada vez mais necessários projetos de conscientização ambiental para reduzir ao máximo o lixo marinho a fim de manter não só as tartarugas, mas todas as espécies marinhas livres desse mal. 

Texto e Fotos: Gustavo Carvalho Maldonado
UFF - Universidade Federal Fluminense
gustavogcm1@gmail.com

Professora Larissa Rodrigues

Professora Larissa Rodrigues

O MUZEC - Museu de Zoologia e Extensão da Ciência

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