Tiê-sangue é o nome popular de uma belíssima ave que é considerada endêmica da Mata Atlântica brasileira, o que significa dizer que a espécie só ocorre neste local. Seu nome científico é Ramphocelus bresilius. Além de tiê-sangue, o pássaro também é popularmente conhecido como sangue-de-boi, tiê-fogo, chau-baêta e tapiranga, sendo considerada uma ave símbolo da Mata Atlântica.
Distribuído pela faixa costeira do país, ocorre do estado da Paraíba a Santa Catarina. Mede entre 18 e 19 cm de comprimento e é encontrado geralmente em locais alagadiços, preferindo as margens de rios ou áreas de restinga. Podendo viver aos pares ou em pequenos grupos constituídos de machos e fêmeas adultos, jovens e filhotes daquela temporada reprodutiva.
A espécie apresenta dimorfismo sexual, apresentando diferenças entre macho e fêmea. O macho possui plumagem numa coloração vermelho vivo na maior parte do corpo, mas possui parte da cauda e das asas na cor preta. Além disso sua mandíbula é mais espessa do que a da fêmea, possuindo cor branca reluzente. A fêmea possui coloração parda e marrom avermelhada. Quando jovens, machos e fêmeas possuem plumagem parecida, o que torna difícil a diferenciação. Apenas quando o jovem macho começa a adquirir sua plumagem avermelhada é possível distingui-lo da fêmea.
O Tiê sangue atinge a maturidade sexual no primeiro ano de vida, porém a coloração rubro-negra só surge no segundo ano. A ave constrói ninhos que possuem formato de cesto, no qual geralmente as fêmeas colocam dois ovos mas em alguns casos pode haver postura de três. Os ovos possuem casca azul claro com manchas ou linhas negras. A incubação geralmente ocorre num período de 13 dias. Apesar de somente a fêmea ser responsável por incubar os ovos, após o nascimento geralmente o casal reveza na alimentação dos filhotes e limpeza dos ninhos que consiste na retirada de um saco translucido contendo as fezes dos filhotes. Tal retirada é importante pois ajuda a reduzir as doenças e evita que o cheiro das fezes atraia animais que possam vir a predar os filhotes.
Durante a maior parte do ano a sua alimentação é basicamente frugívoro, podendo haver consumo de alimentos de origem animal. Ao se alimentar de frutos, esta ave além de obter energia necessária contribui com dispersão de sementes, aumentando as chances delas caírem em locais que sejam de condições favoráveis a sua germinação e crescimento. Na fase de reprodução fornece insetos e pequenos anfíbios a seus filhotes.
Apesar de não possuir um canto considerado belo, Ramphocelus bresiliusé ameaçado pelo tráfico de animais devido a sua espetacular beleza, sendo essa atividade ilegal, uma das possíveis causas da raridade em alguns locais, como por exemplo, Santa Catarina.
Texto e Fotos: Rodrigo Peixoto Nunes
Colégio Pedro II - Pró-Reitora de Pós-Graduação, Pesquisa, Extensão e Cultura.
rodrigu_peixoto@hotmail.com


