Filo Annelida

O filo Annelida é representado por cerca de 3000 espécies, as quais estão divididas em três classes: Oligoechaeta, Polychaeta e Hirudinea. São conhecidos por possuírem corpo alongado divido em segmentos (anéis) sem muitas modificações. Têm simetria bilateral, são triblásticos, protostômios e celomados. O celoma é preenchido por um fluido celomático, um líquido que se aloja nas vísceras do animal. Com a ausência do esqueleto, o celoma dá a sustentação para o corpo e auxilia na locomoção. Os representantes mais conhecidos são as minhocas, mas há também sanguessugas e poliquetas, os quais podem medir de 1 milímetro a cerca de 3 metros. 

A respiração dos anelídeos terrestres ocorre por trocas gasosas através de toda a epiderme, que é fina e úmida; assim, não apresentam órgãos especializados para esse fim. Já os anelídeos aquáticos realizam respiração branquial, e nesse caso as trocas gasosas ocorrem ao nível de brânquias. Tais estruturas estão alojadas nos dois lados da cabeça, com dobras externas presentes na superfície epitelial, e são altamente vascularizadas. Assim, a água entra pela boca, passa pela faringe e banha as brânquias de modo que recebam o oxigênio. O fluxo da água atinge as brânquias de forma unidirecional, passando por pequenos cílios que filtram as impurezas. 

O sistema circulatório é fechado, ou seja, o sangue permanece sempre dentro dos vasos e órgãos dos sistemas. Assim, o sistema é composto por dois grandes vasos (dorsal e ventral).  Além disso, em cada segmento, um par de vasos laterais ligam o vaso dorsal o ventral. Esses vasos possuem capacidade contrátil, bombeando a hemolinfa (líquido com hemoglobina dissolvida). 
A excreção é realizada através de estruturas filtradoras chamadas nefrídios, presentes aos pares em cada segmento do corpo. Os nefrídios filtram os líquidos circulantes e eliminam as excretas para fora do corpo. Não confunda excreção com egestão; essa última é realizada pelo sistema digestório!

O sistema digestório é completo, composto por boca, faringe, papo, moela, intestino (cecos intestinais) e ânus. Assim que o alimento passa pela boca e faringe, ele atinge o papo, responsável por armazenar o alimento temporariamente. Em seguida, esse alimento atinge a moela, responsável pela digestão mecânica (tritura o alimento). Na parte anterior do intestino ocorre a digestão química e na posterior a absorção de nutrientes. O hábito alimentar varia conforme a espécie, mas em geral podem ser herbívoros, hematófagos e/ou carnívoros.

O sistema nervoso é ganglionar, composto basicamente por um conjunto de nervos na região dorsal anterior e uma série de cordões nervosos que seguem para as demais regiões do corpo. Alguns anelídeos, como várias espécies de poliquetas, possuem órgãos sensoriais (como olhos e papilas sensitivas) bastante desenvolvidos. 
A reprodução dos anelídeos varia de grupo para grupo. As minhocas e sanguessugas, em geral, são animais monóicos/hermafroditas (possuem os dois sexos num único indivíduo), fazem fecundação cruzada (precisam de um parceiro) e o desenvolvimento é direto, ou seja, os filhotes já nascem com o aspecto do adulto. Já os poliquetas geralmente são dióicos (há machos e fêmeas), e possuem desenvolvimento indireto (há uma fase larval até atingir aspecto de adulto). Na cópula de minhocas, os indivíduos se emparelham e trocam sêmen que é guardado em receptáculos seminais. Na época da reprodução um anel mais largo e claro, chamado clitelo, produz muco que capta os ovócitos e os espermatozoides, ocorrendo a fecundação.
Como falamos anteriormente, esse filo é dividido em três classes. A classe Hirudinea é representada pelos anelídeos sem cerdas, como as sanguessugas. Possuem 34 segmentos fixo, corpo dorso-ventralmente aplainado.

As sanguessugas vivem, em sua maioria, em água doce, mas também há aquelas que são de ambiente marinho e até terrestre. Apresentam ventosas nas extremidades, sendo uma na boca e a outra na região anal que garante sua fixação enquanto se alimenta. Na boca há uma mandíbula serrilhada. Podem ser carnívoros ou parasitas, alimentando-se de sangue dos vertebrados. A respiração é cutânea ou branquial, sendo necessário que estejam em locais úmidos para que consigam realizar as trocas gasosas de maneira eficiente. Os representantes, assim como as minhocas, são hermafroditas.


A classe Polychaeta (muitas cerdas) inclui as nereidas, poliquetas de fogo, entre outros mais desconhecidos. São animais que se movimentam por ondulações laterais (alguns são fixos ao substrato, vivendo em tubos ou enterrados na areia, mas conseguem movimentar-se lateralmente para captura de alimento). Têm na cabeça várias estruturas sensoriais (olhos, antenas) e um par de mandíbula, perto da faringe. No grupo há diversas espécies bem coloridas que se camuflam entre os corais. A maioria tem parapódios (dois apêndices laterais), cuja principal função é a locomoção. Não possuem órgãos permanentes do sexo. As gônadas aparecem pelo inchaço durante o período da reprodução. Os gametas são descarregados no celoma e colocados para fora do corpo pelo nefrídióporo (abertura por onde também são eliminadas as excretas).   A fecundação é externa e o desenvolvimento indireto, com uma larva livre natante, chamada trocófora. 


(Nereida)

A Classe Oligochaeta é a mais conhecida, uma vez que é representada por minhocas, as quais possuem números de cerdas reduzido. São animais detritívoros e sua egestão (fezes) resulta em humus (material fertilizante do solo). As minhocas são hermafroditas e possuem todos os órgãos reprodutivos permanentes.  


Durante a cópula, se posicionam em sentido oposto. O anel mais claro, no início do corpo, é chamado clitelo. Essa estrutura libera um muco que ajuda a manter os dois indivíduos bem posicionados enquanto ocorre a troca de gametas. Assim ambas minhocas injetam espermatozóides na bolsa espermateca (bolsa específica para reserva de espermatozóides) da outra.


Após elas se separarem, o clitelo cria um casulo. Quando a minhoca se locomover, ela moverá esse casulo até a abertura feminina, recolhendo os ovócitos que serão fecundados pelos espermatozóides que estão na espermateca. Em contínua movimentação, o casulo passa pela cabeça e é deixado no solo. Os filhotes sairão do casulo em até 3 meses.



Sâmela Cristina Marques
Luciana Segura de Andrade

BIBLIOGRAFIA (textos e imagens)
BARNES, R. D.; RUPPERT, E. Zoologia dos Invertebrados. 4ª edição. São Paulo. Editora Roca. 1179pp, 1990.
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RUPPERT, E. E.; BARNES, R. D. Zoologia dos invertebrados, 6ª edição. São Paulo, Editora Roca, 1996.
SUPER INTERESSANTE, Disponível em
https://super.abril.com.br/mundo-estranho/como-e-a-reproducao-das-minhocas/> acesso em 28 de maio de 2020,

Professora Larissa Rodrigues

Professora Larissa Rodrigues

O MUZEC - Museu de Zoologia e Extensão da Ciência

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