Os opiliões são invertebrados de oito patas que pertencem ao Filo Arthropoda, Subfilo Chelicerata, Classe Arachnida (da mesma classe das aranhas, escorpiões e carrapatos) e Ordem Opiliones. Existem aproximadamente 6.000 espécies no mundo e, no Brasil, aproximadamente 1.000 espécies. O nome Opilio é de origem latina e significa “pastor de ovelhas” devido à utilização do seu segundo par de patas para inspecionar o ambiente à sua volta.
Os opiliões são também conhecidos como aranha-alho, aranha-bode, aranha-cafofa, aranha-de-chão, bodum, fede-fede, giramundo, temenjoá ou tabijuá. São inofensivos e caracterizam-se pelas patas articuladas excepcionalmente longas em relação com o resto do corpo. Apesar das semelhanças superficiais com as aranhas, com as quais são geralmente confundidos, estes aracnídeos representam um grupo distinto. Possuem o cefalotórax e abdome fundidos em uma só estrutura, uma das diferenças básicas entre eles e as aranhas. Quatro pares de longas patas estão inseridos nesta região, sendo que o segundo par, mais alongado, tem função tátil, funcionando como se fossem antenas.
De hábito noturno, são muito comuns na região de Mata Atlântica. Neste ambiente, são alimento de anuros, grilos, vespas e outras espécies de opilião. Os opiliões habitam quase todas as regiões zoogeográficas e são comuns tanto nos trópicos como nas zonas temperadas. Não são encontrados apenas em florestas, mas também em regiões mais secas como o Cerrado brasileiro, a Savana venezuelana e o Chaco argentino-boliviano. Existem opiliões que vivem em grandes altitudes nos Andes e no Himalaia. A maioria vive em ambientes úmidos, habitando locais escuros, debaixo de pedras e troncos, e podem viver também no extrato arbóreo, debaixo do folhiço e matéria orgânica em decomposição e em cavernas ou abrigos semelhantes.
Os opiliões não segregam seda, não constroem teias e não possuem glândulas de veneno. Embora não apresentem glândulas de veneno, possuem glândulas odoríferas (de "mau cheiro") para defesa. O líquido secretado por essas glândulas, embora tóxico para pequenos animais, é inofensivo para os humanos. Contudo, sua picada é dolorida, apesar de serem muito raros os casos de picadas por esses animais. Quando ameaçados também podem fingir de morto ou perder uma pata que continua se movendo após ser destacada do corpo devido à presença de marcapassos em um dos segmentos da pata, que enviam sinais periódicos, através dos nervos, para os músculos da pata contraírem. Existe a hipótese que esse comportamento poderia distrair a atenção do predador durante a fuga do opilião.
Quando se alimentam, geralmente realizam a digestão extracorpórea, secretando enzimas digestivas no alimento para depois ingerir. Eles manipulam os alimentos com o auxílio dos pedipalpos e quelíceras. Ao contrário da maioria dos aracnídeos, como as aranhas e os escorpiões, que só conseguem ingerir líquidos, os opiliões são capazes de ingerir partes sólidas sem a necessidade de dissolver antes o alimento.
Assim como outros de sua classe, o opilião respira com auxílio de traqueia, e os túbulos de Malpighi auxiliam na excreção. Esta é lançada para o meio externo via glândulas coxais.
Quanto à reprodução, são animais dióicos. A fecundação é interna e os machos possuem órgão de cópula. De uma forma geral, pai ou mãe cuidam dos ovos por tempo integral podendo, inclusive, passar até um mês sobre eles, deixando de lado até mesmo a alimentação. Há pelo menos seis espécies nas quais o macho é o protetor da ninhada.
Muitos pesquisadores no Brasil e no mundo estudam os opiliões nas mais diversas áreas, mas novos estudos e pesquisas sempre são necessários, pois provavelmente ainda se tem muitas espécies novas para serem descobertas.
UFF - Universidade Federal Fluminense
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